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MAIA GONZALEZ, Maria Teresa – “Recados de mãe”. Lisboa:
Verbo, 2006
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Esta obra relata-nos a
vivência de duas irmãs que tiveram a infelicidade de ter perdido a mãe, quando
tinham apenas dez e seis anos de idade. Clara, a irmã mais velha e Leonor a
mais nova assim se chamavam as duas meninas, passaram então a ter uma vida
completamente diferente da vivida até ali. Permaneceram algum tempo em casa do
pai, pessoa com quem já não viviam à morte da mãe mas este, pouco tempo depois
decidiu que as crianças passariam a residir nos arredores de Coimbra, até então
viviam em Lisboa, com a avó materna, numa quinta centenária pertencente à
família. A permanência na quinta, teve início no Verão, durante as férias
grandes, por isso, os dias passavam rapidamente uma vez que as duas brincavam
durante várias horas, no jardim da quinta. Mais difíceis eram as noites, em que
Leonor chorava pela mãe. Várias vezes ao acordar pela manhã, Clara dizia à
Leonor que em sonhos tinha visto a mãe e lhe tinha falado, tentando assim que a
irmã não sentisse tanto a falta dela, o que com frequência não conseguia, pois
as saudades eram muitas. Durante a estadia na quinta, Clara e Leonor iam à
Igreja com a avó e esta, dava-lhes lições de catequese e ensinava-as a rezar.
Clara, embora rebelde, mostrava-se muito interessada e sempre atenta às
explicações da avó, sobre a vida dos santos. A vida na quinta não era fácil,
principalmente para Clara que, não simpatizava nada com a avó Matilde, entrando
várias vezes em conflito com ela. Aproximava-se o início do novo ano lectivo. A
avó levou as duas netas a Coimbra para comprarem todas as coisas necessárias
para que pudessem dar entrada no colégio de Santa Isabel daquela cidade, como
alunas internas. Chegou o dia da apresentação no colégio. A avó acompanhou as
netas. Conversou com a directora e, algum tempo depois despediu-se das duas,
com um leve beijo na testa. Clara e Leonor foram então acompanhadas por uma
freira que lhes indicou o quarto que a partir daquele dia iriam ocupar no
colégio. Foram-lhes mostradas as instalações e tudo aquilo era muito estranho
para elas, pois o colégio que tinham frequentado em Lisboa era completamente
diferente. O silêncio que reinava naquele lugar perturbava Leonor, sentindo-se
por vezes oprimida. O mesmo não acontecia com Clara que, quase desde os
primeiros momentos a capela passou a ser o centro das suas atenções e o seu
refúgio. De aluna excelente, passou a ser apenas razoável, estudando pouco mais
do que o indispensável para obter notas positivas. Deixou de ser uma rapariga
comunicativa e passou a comportar-se de forma muito discreta. Só a relação com
a irmã não teve qualquer alteração, mantendo-se sempre atenta e preocupada com
o que pudesse entristecer ou afectar Leonor. No colégio, as duas irmãs
questionavam-se por que motivo haveria tantas raparigas a viver num sítio onde
não tinham a família e pensavam no pai que quase não as visitava, aumentando
assim, cada vez mais a distância entre eles. Nas conversas de ambas, era sempre
lembrada a mãe e a ambição do futuro era que nunca se separassem uma da outra e
tivessem uma grande casa pintada de cor- -de-rosa. Depois de alguns meses no
colégio Clara e Leonor tinham já autorização para passarem os fins-de-semana em
casa da avó, onde brincavam e contavam histórias. Os anos foram passando.
Quando Leonor tinha catorze, não fazia a menor ideia do que queria ser um dia
mais tarde mas, Clara tinha já feito a sua escolha, embora a avó planeasse para
ela um curso de professora, para exercer num liceu ou colégio de Coimbra. Aos
vinte e um anos, depois de completar os estudos, numa tarde de Agosto, Clara
comunicou à avó e à irmã que queria ser missionária, que brevemente viajaria
para África e esperava aplicar os conhecimentos que tinha adquirido, junto de
crianças órfãs, em Moçambique ou noutro país qualquer onde pudesse ser útil. A
avó ficou estupefacta com tal escolha e Leonor saiu da sala onde se
encontravam, revoltada com a noticia da irmã, pensando que o facto de terem
frequentada um colégio de freiras tivesse tido influência para aquela decisão
mas, depressa concluiu que era a vocação da irmã. Do futuro de Leonor,
conhece-se pouco. Sabe-se apenas que vive na quinta que era da avó Matilde,
tendo remodelado parte da casa, e pintado o exterior de cor-de-rosa, para
concretizar os sonhos de infância das duas irmãs. Clara, após a ida para
Moçambique, veio a Portugal apenas uma vez, para ser madrinha da primeira filha
adoptiva da sua irmã. Regressou novamente passados vinte anos, para o casamento
da afilhada.
Data: 03 / 01 / 2014
NOME: Helena Cristina Rodrigues Padinha Ano/Turma: 9ºA Nº 9
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